Cartões postais de uma viagem de pesquisa
- Luca Scupino

- há 2 dias
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Luca Scupino documenta anedotas, perguntas e confissões ao longo de 25 dias na França

Na última entrevista que concedeu antes de morrer, Éric Rohmer (1920-2010) disse, a respeito de sua obra: “não sou eu mesmo que vejo nos filmes, é o mundo que filmei”. A constatação de que o cinema é algo que nos faz retornar à natureza é comum no universo rohmeriano: para ele, nada mais vazio do que uma arte que apenas contempla a si mesma, sendo necessário abrir os olhos ao mundo que nos cerca. O que vemos em muitos de seus filmes como O signo do Leão (1963), A mulher do aviador (1981), O raio verde (1986), O amigo de minha amiga (1987) é a realidade desvelada em frente da câmera — em cada olhar que um figurante lança às lentes, cada gesto inusitado dos atores, cada folha de árvore que balança ou nuvem suspensa.
Logo que comecei a pesquisa de meu mestrado dedicado à obra do cineasta, fui tomando consciência de que uma viagem de campo seria de grande benefício para descobrir bibliografias, documentos e relatos sobre o cineasta que, a alguns oceanos de distância, pareciam de difícil acesso.
Mais ainda, talvez inconscientemente, houvesse aí uma curiosidade de ordem antropológica, escondida sob a burocracia dos compromissos acadêmicos: para entender Rohmer e o mundo que ele filmava, eu precisaria antes percorrer as ruas das cidades em que seus filmes foram rodados, revirar suas anotações de trabalho, ver os filmes e ler os livros em que se inspirava e, talvez, apenas sentar para observar o movimento das coisas, longe (temporariamente) das amarras do cotidiano.
Fruto de um longo planejamento, ao longo do percurso me deparei com uma dificuldade sistêmica, enfrentada por quase todo pesquisador no Brasil: o financiamento. Sem bolsa em meu programa de pós-graduação e com poucos recursos a recorrer para financiar uma estadia extensa, se tornou claro que a viagem precisaria ser mais curta do que eu imaginava — em geral, mestrados e doutorados sanduíche tendem a durar de um a dois semestres, geralmente com o apoio de algum órgão de fomento como a CAPES ou FAPESP.
Assim se deu início o plano JK: tentar fazer um ano de pesquisa em um mês na França, distribuído entre três cidades de norte a sul que precisei visitar como parte de minhas atividades. É claro, como francófilo incurável, que, além de aproveitar a viagem para incrementar minha pesquisa, aquilo também seria uma oportunidade única para conhecer o país, suas ruas, a língua, a comida, os cheiros, as pessoas, a arte e (biensûr) o cinema. A busca por atravessar os olhares de pesquisador e viajante forasteiro é o que dá o tom a essas pequenas investidas.
Foi assim que, munido do celular em mãos, decidi documentar a experiência, ao modo Dale Cooper: “don’t plan for it, don’t wait for it, just let it happen”. Fui escrevendo um pouco a cada dia, dividido radicalmente pelo calendário como nos intertítulos de Conto de Verão (1995) ou O Raio Verde (1986). Não consegui me afastar do audiovisual: em paralelo ao texto, o vídeo vem também numa poética do cartão postal, o estudo de uma imagem fetiche que vem de filmes que amo como Meia Noite em Paris (2011, Woody Allen), À propos de Nice (1930, Jean Vigo) ou Du côté de la côte (1958, Agnès Varda).
Minha primeira viagem solo e também o maior tempo que fiquei longe do Brasil, essas entradas apresentam os estranhamentos a um mundo que, por mais que tente me aproximar, continua um pouco longe. É bom que continue, pois a pesquisa se faz dessa busca. É bem aos poucos que a distância se abranda.
Essa viagem se fez com a ajuda de muita gente, em particular de meu tio Gian que me acolheu junto à sua família em seu apartamento ao lado de Paris, e Noël Herpe, co-autor de uma biografia monumental sobre Rohmer, a quem conheci em São Paulo ainda em 2024 e que topou me receber como aluno intercambista na Universidade Paris 8. E, claro, meus pais, a cujo apoio este jovem pesquisador de cinema francês, nem sempre plenamente compreensível, muito agradece.
Talvez eu tenha ocasionalmente exagerado no drama, mas pelo menos uma vez me permito pecar pelo excesso.
25 de fevereiro (quarta-feira)
A verdade é que toda história começa ou começou num aeroporto, ponto de ônibus, porto de navio, estação de trem, carona na beira da estrada e por aí vai. Ou quase isso. Parece um contrassenso olhar para a esterilidade desse não-lugar e imaginar os sonhos que prefiguraram aqui. Acabei de olhar pro lado e ver duas mulheres chorando, uma em cada canto. Não sei se tem bateria pro resto da viagem.
26 de fevereiro (quinta-feira)
Hoje no metrô um cara chegou do meu lado e reclamou que eu estava respirando alto demais. Eu - respirando alto demais. Nunca achei que eu respirasse alto. Mas fiquei até feliz (já posso dizer que fui tratado como um igual?). Enfim. Conheci a universidade. Mais pra desconheci, porque não consegui me localizar lá dentro. E visitei a Cinemathèque também. Mas essa parecia que já conhecia, porque me senti realmente em casa lá dentro. Jantei 11:30 da noite. Meu corpo já não sabe o que tá acontecendo.
27 de fevereiro (sexta-feira)
Une journée pluvieuse à Paris. Dia de bater perna pela cidade e minhas pernas acabaram me levando para o show do Belle and Sebastian. Estava ouvindo três dias atrás sem imaginar que ia ver ao vivo. My wandering days are over (does that mean I'm getting boring?). Foi o show do Tigermilk e o que eu encontrei voltando pro metrô? Um restaurante chamado Tigermilk. Chocante.
28 de fevereiro (sábado)
Ainda na Rive Droite, hoje fui visitar o cinema MacMahon, um antro histórico da cinefilia parisiense. Continuei indo de lá pra cá andando, conhecendo umas lojas, vendo o movimento da cidade, enfim. Por enquanto ainda me permito ser turista. Tive que dar grilos pra Nicole Kidman, dragão barbudo do meu primo, se alimentar.
01 de março (domingo)
Domingo, tudo fechado por aqui. Visitei o túmulo do Rohmer. Descobri que a esposa dele também morreu em 2023 (achava que ela ainda estava viva, por algum motivo). Vi que tinha flores relativamente novas e senti o calor das lágrimas pelo meu rosto, porque não tinha trazido nada. Que ironia (não do tipo rohmeriana), alguém que mesmo morto me deu tanta coisa. Conte de Printemps: "c'est idiot, j'ai toujours peur d'écraser les fleurs". Fui na Cinemathèque de novo e encontrei o Noël, professor que vai me receber na universidade.
02 de março (segunda-feira)
Dia de aula (o momento turístico durou pouco, para a sorte do meu cartão wise). Dobradinha sobre cinema francês, tive uma boa introdução a Marcel Pagnol e Sacha Guitry, que por algum motivo nunca assisti.
03 de março (terça-feira)
Aniversário da Nonna, que está no Brasil. Os dias aqui parecem ter 48 horas, acontece muita coisa. Hoje pela primeira vez fiquei no apartamento. Só eu e Nicole Kidman.
04 de março (quarta-feira)
Tio Gian, Sophie e Giorgio chegaram. Estive menos sozinho aqui do que imaginava que seria, mas é bom estar em família. Por acaso fui tomar um café com um pesquisador de cinema brasileiro importante que também estava pesquisando na François Mitterand. A parte reservada para pesquisadores é surreal, parece a Nasa (clichê que realmente se aplica).
05 de março (quinta-feira)
Ontem fui pra livrarias e bibliotecas, hoje saí pro museu do Labubu com Giorgio e Sophie, que é colecionadora fervorosa. Encontramos o criador do Labubu que eu nem sei quem é. Terminando fomos na rua com coisas chinesas no Le Marais. Depois fiquei sozinho, fui pro museu Picasso e tirei fotos das pessoas vendo os quadros. De noite exibição do filme do Noel sobre Rohmer. Encontrei a Amanda Langlet no final da sessão. Todos os dias com esses encontros fortuitos, sinto o fantasma de Rohmer arquitetando alguma coisa.
06 de março (sexta-feira)
De manhã mostrei alguns vídeos dos Beatles pro Giorgio, que não conhecia a banda. Acho que ele gostou um pouco, mas logo depois quis ver Stranger Things. Hoje fiquei no apartamento. Terminei algumas leituras e fichamentos. Pela primeira vez começando a me sentir um pouco sozinho aqui. É o que acontece quando o tempo sobra.
07 de março (sábado)
De manhã fui dar um passeio pelo bairro e sentei num banco de frente ao Sena. Depois descobri que aquele lugar era uma ilha onde os impressionistas ficavam para pintar a cidade. Gonçalves Dias estava certo: é verdade o que dizem que você só conhece seu país de verdade quando não está mais nele. Saudades do Brasil e da terra com palmeiras onde canta o sabiá.
08 de março (domingo)
Fomos visitar Auvers-sur-Oise, a cidade do Van Gogh. Conheci o quarto que ele viveu nos últimos meses de vida. Um cantinho minúsculo em cima de um restaurante. Foi também onde ele morreu. Coisa sinistra de estar diante de uma coisa tão grande, que por acaso era também ridiculamente modesta. Depois fomos ver o túmulo dele e do Theo, seu irmão. Escondidos num canto do cemitério, um ao lado do outro. Na verdade são apenas homens e nada mais. Os gênios são apenas homens.
09 de março (segunda-feira)
Mais um dia na universidade. Impressionante como jovens são iguais em qualquer lugar do mundo. Como a faculdade tem muitos imigrantes, andar pelos corredores significa ouvir várias línguas, inclusive português (se sentir em casa por um microssegundo na voz de um completo desconhecido). A sala fica num espaço liminar, no fim de um corredor vazio e pouco iluminado, e o professor sempre demora 15 minutos pra chegar. A sensação estranha da espera ao lado de rostos semi-conhecidos me traz imediatamente de volta pras aulas da graduação às 7:30 da manhã, quando parecia que o mundo não tinha acordado ainda. É um frio na espinha e uma nostalgia estranha. Pela primeira vez me sentindo mais próximo de ser professor que de ser aluno.
10 de março (terça-feira)
O momento que todos (eu) estávamos esperando: a viagem à Normandia para ver o acervo do Rohmer no IMEC. Fui de trem, o que certamente adiciona outra camada de romantismo à história toda, que termina numa abadia medieval onde os arquivos estão depositados. Ficando aqui numa residência com vários outros pesquisadores, de diversas idades e origens. Fiz amizade com François, professor da Universidade de Nanterre que elogiou meu francês. Vendo os arquivos manuscritos, me senti diante de um livro sagrado que eu tenho apenas três dias para entender. Com a dica de Robert Caro na cabeça: “turn every page”.
11 de março (quarta-feira)
A noite aqui foi um pouco assustadora. Mas talvez só eu não esteja acostumado com o silêncio do campo. Hoje vi alguns dos arquivos mais importantes para a minha pesquisa, manuscritos originais de “O celuloide e o mármore” (o artigo e o filme). Me senti um criptólogo tentando decifrar a letra de uma anotação que claramente não foi escrita para parar num fundo de arquivos. É uma coisa estranha estar aqui isolado numa abadia na Normandia podendo me dedicar à minha própria obsessão, enquanto o resto do mundo está pegando fogo, inclusive o Brasil. Pensando em visitar algumas praias históricas no meu último dia aqui.
12 de março (quinta-feira)
Mais um dia de pesquisa. Descobri no meio dos arquivos que havia uma série de dossiês que poderiam ser interessantes, mas eu não havia solicitado. E eis que chegaram mais três caixas, todas sobre o trabalho de Rohmer como professor na Sorbonne, de 1969 até os anos 1990. Páginas e páginas infinitas com reflexões que vão desde aspectos técnicos da produção de um filme a conceitos filosóficos complexos, incluindo textos muito conscientes sobre seus próprios filmes, que ele às vezes mencionava em aula. Cartas de alunos agradecendo ele pelas aulas e de pesquisadores pedindo entrevistas. Uma carta do agora cineasta Eugene Green, jovenzinho, pedindo para acompanhar as aulas de Rohmer. Raramente eu lamento ter nascido na época errada, mas esse sentimento me mordiscou hoje. De noite fiz um passeio pelo terreno do IMEC para cheirar os ramos de jasmim que florescem perto da abadia, acho que de todas as coisas isso é o que mais vou me lembrar.
13 de março (sexta-feira)
Já que consegui ver os arquivos, decidi aproveitar o dia pra conhecer Ouistreham, onde tem uma das praias do desembarque. Consegui pegar um taxi para a estação junto com uma mulher que estava partindo do IMEC (descobri depois que ela era a diretora de lá). Peguei um ônibus e, apesar do frio e da chuva, as paisagens me fizeram sentir em casa: a casa onde cresci em São Bernardo tem a arquitetura inspirada no estilo normando, aquele telhado inclinado com chaminé. Frio e chuva bem chatinhas, mas no fim valeu a pena ver o mar, saber que tudo isso acaba em algum lugar.
14 de março (sábado)
O Owen Wilson estava errado, Paris na chuva é uma merda. Decidi tentar encaixar um monte de coisa no mesmo dia, e acabei com apenas uma hora pra explorar o Musée d'Orsay. Uma hora pra ver Cézanne, Van Gogh, Seurat, Pisarro, Rodin (a lista é meio infinita). Saí de lá meio triste com a pouca atenção que pude dar, mesmo pra obras que me arrebataram profundamente. Depois cheguei na Cinemateca pra ver Les Cinephiles do Louis Skorecki, um filme raríssimo do submundo cinefilia Cahiers. Cheguei 10 minutos atrasado, quase não me deixaram entrar. E o engraçado é que no filme um dos personagens diz que passou pela mesma situação.
15 de março (domingo)
Dia de Oscar, o que por algum motivo sempre me deixa um pouco ansioso. Dia de sol, e eu e meus tios saímos pra um piquenique no 16º arrondissement. Fui brincar com o Giorgio de pique-esconde e caí com tudo – sujei de terra, minha calça favorita. Lembrei que não tenho mais nove anos, mas fiquei feliz que não quebrei nenhuma perna ou algo do gênero. Fui na Laffayette atrás de alguns presentes e depois pra Cinemateca assistir um filme perdido do Pagnol, que foi recuperado depois de 80 anos.
16 de março (segunda-feira)
Fiquei acordado até 4h da manhã ontem vendo o Oscar (fora a vitória da Amy Madigan, primeira da noite, não sei se valeu muito a pena, mas não tive opção). Hoje apresento minha pesquisa pros alunos de mestrado e graduação em cinema aqui, e surpreendentemente consegui descansar depois de algumas horas de sono. Mas saudades do Brasil já. O aleatório do Spotify começou a tocar Boogarins, que eu nem conheço muito, e o calor da língua portuguesa me lembrou um pouco do que é estar em casa. Deu certo a apresentação, mas voltei pra casa absolutamente exausto e acho que nunca mais vou aguentar ouvir mais uma palavra de francês. J'en ai marre.
17 de março (terça-feira)
Última viagem dentro da viagem. Dessa vez pra Tulle, cidade onde o Rohmer nasceu, com o privilégio de estar acompanhado do Noel, biógrafo dele. Quando entrei no trem fui olhar minhas coisas e percebi que esqueci meu Kindle. Vontade de morrer. Restou adiantar alguns trabalhos no computador e admirar a vista. Olhar pela janela durante a viagem me fez pensar em As Metamorfoses da Paisagem, documentário do Rohmer em que ele analisa a transformação das paisagens rurais na França pelo avanço da indústria. Com certeza ele já fez esse mesmo caminho de ferro algumas vezes e deve ter sido inspirado pelas imagens que viu no caminho.
18 de março (quarta-feira)
As noites no campo sempre me assustam. Ou talvez, de novo, só eu não esteja acostumado com o silêncio. Curioso como o tempo se multiplica, como não precisa apressar.
19 de março (quinta-feira)
Visita hoje ao La Maison Rohmer, casa de infância dos irmãos Maurice e René. Quatro andares, no centro de Tulle, construída majoritariamente no século 18. Não consegui fazer muita coisa até o horário da visita, de tarde. O Noel me avisou que não teria nada muito demais na casa e que eu sou fetichista com algumas coisas da pesquisa. Mas de fato visitar a casa de alguém revela muita coisa, pode-se entender realmente porque uma pessoa é como é. Fomos acompanhados na visita da Agnès, que trabalha no instituto. O lugar é realmente meio labiríntico, com vários andares e portas que revelam quartos surpresa (era uma família grande vivendo junta). Alguns rosebuds (que eles chamam de outro nome - les petits cailloux blancs, as pedrinhas deixadas por um menino ao longo do trajeto e que permitem retraçar o caminho de casa). Livros de Victor Hugo, o papel de parede que mostra um cavaleiro medieval como Perceval, os vidros em formato de losango (nome de sua produtora). Há o lado um tanto religioso de estar num ambiente desses – talvez nesse sentido eu seja realmente fetichista – mas é preciso ter um pouco de fé às vezes para entender as coisas, realmente entender.
20 de março (sexta-feira)
Primeiro dia de primavera. Que brega falar isso, mas realmente me sinto numa primavera. Hoje é meu último dia oficial de pesquisa aqui, e sinceramente isso me alivia temporariamente do peso enorme que é a responsabilidade do pesquisador. Vou precisar de uma semana de hibernação e voltar (ia dizer que espero que até lá as árvores já tenham florescido, mas quando voltar pro Brasil já vai ser outono). Tudo bem, bom viajar no tempo.
21 de março (sábado)
No meu último dia de Paris me dei o direito de ser turista de novo. Fiz muitas compras pra aliviar a coceira de ter alguns euros sobrando no cartão wise e depois fui no café da Amélie Poulain. Obviamente pedi um creme brulée e um expresso – o garçom comentou com a outra: "table cinc, creme brulée et expresso, je le savais!". Ri um pouco, talvez eu seja mais previsível do que pense. Sentindo muito amor de amigos, conhecidos e família no Brasil acompanhando minhas aventuras pelas redes sociais. Eu amei mesmo, mas meu lugar é no Brasil.
22 de março (domingo)
Porque todo relato (sincero) do mundo é também um autorretrato. Voltando: voltando cansado, voltando feliz, voltando sobretudo incompleto e com vontade de mais porque nada disso termina por aqui. Muitas coisas que eu — como todo mundo — odeio num avião. Mas algo que acho incrível é a desculpa pra se desconectar. Por isso não gosto quando tem a opção de acessar wi-fi a bordo (nesse tinha mas não tava funcionando, para a sorte de não ter a opção de sucumbir à tentação). Acho importante esse tempo de descompressão, esse estado suspenso no ar de se encontrar em todo lugar e lugar nenhum, num tempo que vai voltar atrás assim que você chegar. Nesses intervalos, tudo acontece.



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