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irmã claudete de lima benitez

Em Assunção (2024), a artista produziu três pequenas placas de cimento e resgatou a técnica do afresco para representar detalhes do corpo humano, colocando a fluidez do corpo e do divino em relação à rigidez do concreto.

O afresco consiste em aplicar pigmentos diluídos em água sobre uma superfície úmida, permitindo que a cor do desenho seque simultaneamente à superfície, tornando-se parte dela. Essa técnica antiga foi muito utilizada durante o Renascimento (séc. 14-16), e pode ser vista em obras-referência até hoje, como o teto da Capela Sistina, feito por Michelangelo. Estima-se que o artista levou quatro anos para finalizar a encomenda de Papa Júlio II, tendo que pintar enormes cenas bíblicas em afresco, deitado ou inclinado sobre um andaime.

Claudete de Lima Benitez é freira e estudante de Artes Visuais na FAAP, São Paulo. Foi uma das premiadas da 54ª Anual de Arte com a obra Assunção, e foi selecionada para receber 90% de bolsa e participar da Residência Artística FAAP em Paris.

por Mariana Mariotto

fernanda santos @fernandasantosart

A pintora carioca produz retratos que reinventam um imaginário para a identidade negra, como uma forma de honrar sua ancestralidade.

Ao retratar essas personalidades em cenas cotidianas ou usando acessórios de moda – como chapéus, óculos e lenços – a artista aborda a ocupação de espaços e o poder de compra como uma forma de celebrar a figura negra em uma posição de lazer, liberdade, autenticidade e alegria.

Fernanda vive e trabalha em São Paulo.

por Mariana Mariotto / imagens: acervo da artista

hannah la follette ryan @subwayhands

Subway Hands é o projeto autoral de Hannah La Follette Ryan. Por meio de fotografias de rua, Hannah registra as Mãos de usuários do metrô de Nova York. Em contextos e situações diversas, nos deparamos com múltiplas perspectivas e pessoas anônimas de todos os tipos nesse pequeno retrato sociocultural nova-iorquino. Com fotografias temáticas ou não, esses registros documentais raramente incitam uma história ou contexto para as mãos – esse é um trabalho do espectador. Mãos vazias, mãos ocupadas, mãos envelhecidas ou entrelaçadas: as fotos surgem como um horizonte imaginativo de possibilidades a cada par de mãos.

por Mariana Mariotto

fernanda pompermayer @fernanda_pompermayer

Participante do 4º Programa de Residência Artística da Luis Maluf Galeria, em 2025, a artista Fernanda Pompermayer investiga a criação de texturas e a transformação da matéria criando peças tridimensionais que unem materiais diversos, como cerâmica, vidro, resina, entre outros. Ao longo de seu processo, a artista se apoia também no acaso para dar vida aos materiais que utiliza, dando formas e cores sutis que nos remetem ao que já conhecemos, como corais, conchas, pedras, ostras e tentáculos, trazendo também para sua obra dualidades interessantes, como a delicadeza e a brutalidade e o orgânico em contraste com o sintético.

por Mariana Mariotto

laís amaral @lais__amaral

Laís Amaral é uma artista carioca autodidata, espirituosa e excepcional. Maneja com autenticidade a pintura intuitiva e abstrata, empregando técnicas como camadas e raspagem de tinta preta sobre composições coloridas com a intenção de revelar algo escondido. Amaral dialoga arte e artesanato, utilizando ferramentas não usuais, como instrumentos de manicure e pentes, questionando as noções tradicionais da abstração ocidental. Não só, mas também utiliza as artes plásticas como forma de comunicação interna e externa. É difícil se deparar com suas obras e não ficar horas à deriva. Essa concepção artística é muito rica. Torna o observador muito ativo, criando um vínculo entre obra e sociedade. As complexas texturas, sobreposições, adereços e cores trazem a magia da composição. A criatividade pode ser entendida como um exercício, mas no caso de Laís, ficamos com a impressão etérea do dom de se fazer algo. Nesse viés, a beleza da forma enigmática da abstração conspira profundamente a favor do registro. Suas narrativas visuais delimitam tanto suas experiências pessoais quanto o cenário político social do Brasil, principalmente a degradação ambiental.

por Duda Massari

mirela cabral @mirelabmcabral

A artista visual possui diferentes mídias de investigação: grafite, carvão, bastão oleoso, maçarico, aquarela, acrílica e palo santo. Seria interessante propor enigmas presentes nas obras de Mirela, considerando que a mesma foge das virtudes da pintura, ou seja, foge dos traços métricos e adestrados, apesar de trabalhar formas e cores de maneira bastante coerente. A obra em questão (sem nome), não trata a figuração. Quase tudo que está gravado é incerto, dá impressões, relapsos, mas nunca uma confirmação do que está sendo comunicado. O abstracionismo geométrico, pictórico e difuso, retrata exatamente o viés reflexivo da pintura, para além da obrigação da funcionalidade que a comunicação contemporânea espera. Nesse mesmo viés, é importante tratar a pintura experimental, que aborda borrões e aleatoriedades, como um estilo trabalhado cheio de riquezas, e não como uma improvisação qualquer. 

por Duda Massari

rajyashri goody @rajgoody

Com interesse pela poesia e pela escrita criativa, a artista indiana começou a série Writing Recipes em 2016, em que adapta textos autobiográficos de comunidades dalit em receitas–poemas para evidenciar de que forma o sistema de castas na Índia afetou a alimentação dessas pessoas marginalizadas — e continuam afetando, já que é uma marca de desigualdade socioeconômica e cultural que persiste até hoje. Seus títulos provocativos trazem uma ironia poética entre o privilégio de quem lê e a realidade do que se lê, mostrando que a comida (ou a falta dela) pode também significar desigualdade, sobrevivência, resistência. Os livretos podem ser acessados aqui.

por Mariana Mariotto

olívia albergaria @oliviaalbergaria

Em um projeto que agora atinge um ano, a estudante de artes visuais Olívia Albergaria produz máscaras carnavalescas a partir do que chama de “construtividade têxtil”, processo em que transforma, a partir da costura e do bordado, sua pesquisa em algo palpável – com volume e a dimensão de um objeto. Inspiradas por Hélio Oiticica, as máscaras buscam criar experiências coletivas e de participação, como em São quatro jogadores (2025), em exposição na 55ª Anual de Arte, no MAB FAAP, mas também a partir do próprio uso das máscaras nos blocos e foliões, colocando em pauta e em prática o tensionamento do lugar da obra de arte.

texto por Mariana Mariotto / imagens: cortesia da artista

nicole morsa @umamorsa

Na série Doce Deleite, a artista paulistana apresenta pinturas a óleo que exploram o apelo visual de bolos exageradamente gostosos. Com interesse pelo desejo, sua pesquisa traz, a partir de bolos carregados de elementos decorativos (cores, texturas, ingredientes), uma reflexão sobre o corpo feminino e a construção social do desejo, especialmente no que diz respeito à forma como o corpo feminino é ensinado a se apresentar. Carregados de beleza e expectativa, os bolos funcionam como construções visuais da sedução, da oferta e do consumo, elementos frequentemente associados à maneira como as mulheres são culturalmente condicionadas a performar para o olhar do outro.

Esses bolos, brilhantes, coloridos e oferecidos, praticamente imploram para serem comprados e comidos – e em nenhum momento Nicole traz a satisfação desse desejo, apenas o desejo em si. Uma vitrine, a água na boca. Só ideia do consumo desses bolos apelativos que, no final das contas, talvez nem sejam tão gostosos assim.

cortesia da artista

laura del'acqua @laud.g

Nascida em um ambiente criativo, a artista paulistana foi naturalmente atraída pelo mundo das artes visuais. Já trabalhou com pintura, cerâmica e hoje se mantém na arte têxtil. Por meio da utilização da tecelagem manual com fio de malha, Laura faz uma busca pelo que chama de "escultura têxtil". Em sua obra, procura ressignificar e sacralizar fios e barbantes, criando tapeçarias e estruturas tridimensionais capazes de interagir e criar uma relação íntima com o espectador que, por sua vez, pode circular ou acessar o interior das esculturas.

texto por Mariana Mariotto / imagens: cortesia da artista

roberto moura @nxssar

O que parece interessar os processos do artista plástico e tatuador Roberto Moura é a valorização da construção das formas, para além da figuração clássica. Assim como nas abstrações de Carlos Páez Vilaró, pintor e ceramista uruguaio, as obras mais oníricas de Roberto atingem um universo desconhecido, criado tão subjetivamente com mistura de diversas referências formando algo singular. Nesse cenário criativo,a textura ressalta as cores, não posicionando-as como elementos secundários de uma obra. A arte contemporânea, ou melhor, a contemporaneidade, segundo Giorgio Agamben, como conceito temporal para classificar determinados temas, costumes, cultura e arte, não é concedida apenas por fazer parte do tempo presente. Não basta pensar e produzir. Hoje, é necessário questionar a existência e suas pulsões criativas e filosóficas, e assim o faz Roberto.

por Duda Massari

lorenza gioppo @lorenzavgioppo

É artista visual, cineasta e bordadeira. Trabalha com direção de arte e cenografia e facilita oficinas de bordado livre, incentivada pela sua especialização em Gestos de Escrita como Prática de Risco, da Casa Tombada.

Em sua obra, realiza intervenções em objetos e performances que envolvem o corpo, a dança, a linha e a terra na mesma medida, brincando com gestos e palavras que saem de seu sentido original a depender do contexto. Busca investigar a escuta, as bordas, o corte e a espacialidade, passando pelas temáticas da memória e do feminino.

por Mariana Mariotto

lucca meloni @melonilucca

Do interior de São Paulo. Formado em Rádio e Televisão, pela FAAP. Reside na capital, onde trabalha como diretor de cena e criativo, realizando comerciais e outros projetos audiovisuais. Quando não está filmando, busca expandir os horizontes e explorar outros meios criativos, como a inteligência artificial e o design.

Uma das suas paixões é a moda, então utiliza a I.A para desenvolver retratos da área. Se baseando em diversos estilistas e fotógrafos, o artista gera “promptografias” e depois utiliza outros softwares, como o Photoshop e o Premiere Pro, para elaborar as peças. 

cortesia do artista

duda massari @dudamassarii

Produtora audiovisual e artista plástica. Na pintura, encontra um lugar íntimo e solitário de criação e pesquisa. Se interessa principalmente pela abstração, onde testa sua criatividade ao mesmo tempo em que invade todas as linguagens na interpretação do cotidiano, como o teatro, o cinema e a fotografia. 

cortesia da artista

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