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Ebulição global: 14 maneiras de refletir sobre o meio ambiente

A Revista Galérica traz iniciativas para você entrar em contato com o meio ambiente e saber mais sobre a crise climática


Em setembro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que o planeta Terra está em um estado de ebulição global, não mais aquecimento. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), julho de 2023 foi o mês mais quente já registrado na história da humanidade. A temperatura média global do ar foi de 17.08°C, ultrapassando a maior marca registrada anteriormente de 16.8°C, em agosto de 2016. Considerando esse cenário, diversos artistas e instituições culturais se propuseram a criar maneiras de interagir, refletir, informar e conscientizar em relação ao presente e ao futuro do planeta Terra.

"A arte pode ser o meio [...] que provoca as questões que precisam ser feitas a respeito dos modos de vida que cultivamos e que modelam o mundo em que vivemos", Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM)

A preocupação com a natureza e as mudanças climáticas são algumas das grandes temáticas da arte contemporânea. A Arte Ecológica ou Arte Ambiental surge nos anos 60 com o intuito principal de refletir sobre sustentabilidade, natureza, ecologia e meio ambiente; assim como a Land Art, eixo que busca criar em conjunto com a terra, tornando a paisagem parte da obra.


A Galérica separou, a seguir, iniciativas artísticas contemporâneas para você conhecer, entrar em contato com o meio ambiente e saber mais sobre a crise climática:


Ideias para adiar o fim do mundo (Ed. Cia. das Letras, 2019), de Ailton Krenak

Eleito imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) é também o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na instituição. Seus livros são publicados internacionalmente e, em Ideias para adiar o fim do mundo, o autor apresenta uma perspectiva indígena em relação ao meio ambiente, apontando a negação, segregação e dominação da humanidade diante da natureza.


Segundo a própria plataforma, Engúio é "um embrulho no estômago. É a mensagem de mal estar antes do vômito". Apresentado por Flores Astrais e realizado pela Bienal das Amazônias em parceria com o Goethe Institut de São Paulo, o podcast traz reflexões artísticas, sociais e políticas de artistas da Pan-Amazônia.


Museu do Amanhã

Inaugurado em 2015, o Museu do Amanhã é um museu multidisciplinar científico que apresenta diversas narrativas sobre como será a vida nos próximos 50 anos, abordando todas as questões climáticas, territoriais, populacionais e tecnológicas do Antropoceno por meio de obras, pesquisas e exibições curiosas, pautadas no que somos hoje.

Entrada do Museu do Manhã, vista de baixo para cima. Globo mostra uma previsão da formação dos continentes no futuro.


Visando um amanhã possível em um mundo cada vez mais inabitável, a plataforma busca resgatar o conceito de utopia a partir de conteúdos sobre política, meio ambiente, tecnologia e economia. Projeto idealizado por Isabela Andrade em parceria com pesquisadores multidisciplinares, entre eles José Corrêa Leite e Luiz Marques.


Arte Sella

Localizado no norte da Itália, o museu a céu aberto explora as possíveis relações entre a experiência humana, a arte e o design e a natureza. Fundado há mais de trinta anos, o parque de esculturas propõe uma bela caminhada pelas montanhas na presença de intervenções artísticas em grande escala; feitas, em sua maioria, de madeira ou pedra. O local entende que a natureza é dominante em relação às construções humanas, por isso sua proposta é apresentar obras que conversem com a paisagem e que sejam dominadas por ela a longo prazo.

La donna invisible/A mulher invisível (2018), de Cédric Le Borgne


Livro Eco-lógicas Latinas (Ed. Act, 2022)

Organizado por Fernando Ticoulat e João Paulo Siqueira Lopes, o livro Eco-Lógicas Latinas é uma enciclopédia de projetos, instituições e artistas latino-americanos que trabalham as relações entre arte, ecologia e ciência. Curadoria de Beatriz Lemos.


Carta à Terra – e a Terra responde (Ed. Relicário, 2020), de Geneviève Azam

Carta à Terra estabelece um diálogo sincero entre a humanidade em relação à Terra e o que a própria Terra pensa da exploração, das catástrofes, da pandemia e da crise climática: "Vocês terrestres aprenderão a pensar e escrever com a Terra. Não estou morta e nunca me calei. Vocês não me escutaram". Tradução de Adriana Lisboa.


Bienal das Amazônias

A primeira edição da Bienal das Amazônias foi inaugurada em agosto. O evento, que acontece até novembro de 2023 em Belém do Pará, centraliza a arte no Norte e Nordeste do Brasil e reúne artistas dos nove países da Pan-Amazônia em uma única temática: a integração entre a natureza e a vida. Leia aqui a matéria da Revista Galérica sobre a Bienal das Amazônias.

Livre interpretação para o nascimento de Ilhas (ou) sobre as forças de ORIgem (2022-2023), Pablo Mufarrej


Os Mil Nomes de Gaia (Ed. Machado, 2022)

Organizado por Rafael Saldanha, Eduardo Viveiros de Castro e Déborah Danowski, a coletânea foi dividida em dois volumes e traz textos de pesquisadores contemporâneos como Bruno Latour, Donna Haraway e Alyne Costa sobre o Antropoceno e a crise climática, questionando o presente para a construção de uma nova possibilidade de futuro.


CENTO (2023), de Nancy Baker Cahill

CENTO é uma criatura híbrida fictícia e futurística de realidade aumentada, produzida coletivamente por meio de inteligência artificial. A obra, inaugurada em 3 de outubro no Museu Whitney de Arte Americana, na cidade de Nova York, acompanha a evolução e movimentação de uma espécie capaz de sobreviver à crise climática e às catástrofes naturais. Sua interação acontece por meio de sua transmissão no dispositivo digital de cada espectador, tornando a instalação uma experiência participativa.

CENTO (2023), de Nancy Baker Cahill


O programa semanal da Rádio USP aborda temas sócio-científicos em um contexto ambiental, analisando questões de sustentabilidade por meio de diálogos com pesquisadores da área. Coordenado pelos professores José Marcelino de Rezende Pinto e Marcelo Pereira de Souza, ambos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo.


Green in the Grooves (2023), de Tamara Henderson

Em exibição no Centro Camden de Artes, em Londres, Green in the Grooves é uma coleção de obras em diversos formatos (vídeos, pinturas e esculturas). A artista busca tornar visível a gigantesca vida do subsolo, principalmente das minhocas, que possuem papel fundamental na decomposição. O espectador entra em uma dimensão silenciosa, quase imperceptível ao cotidiano do ser humano.

Green in the Grooves/Verde no Ritmo (2023), de Tamara Henderson


Queimadas (2020), de Roberta Carvalho

Foi projetado fogo nas árvores do Parque Ibirapuera, em São Paulo, simulando uma queimada. A intervenção aconteceu em 2020, no Dia da Amazônia (05/09). A artista Roberta Carvalho, que possui várias outras obras feitas a partir da projeção, levou Queimadas para diversos bairros de São Paulo, o que contribui para a conscientização de populações que (ainda) não são diretamente afetadas pelas queimadas das florestas brasileiras, principalmente na Amazônia.

Queimadas (2020), Roberta Carvalho


Northumberlandia (2005-2012), de Charles Jencks

O Jardim da Especulação Cósmica é um parque público com obras de Charles Jencks, situado no norte da Inglaterra. A paisagem local foi restaurada e revitalizada após sofrer com escavações para a instalação de minas de carvão e argila. Northumberlandia - A mulher do Norte possui 34 metros de altura e cerca de 400 metros de comprimento, sendo possível caminhar sobre ela e observar a obra sob diversas perspectivas. A intenção dessa Land Art é mudar com as estações do ano e se transformar ao longo das gerações.

Northumberlandia – A mulher do Norte (2005-2012), de Charles Jencks


NOTA:

Esta matéria foi inspirada no artigo 'Ebulição Global: maneiras de refletir sobre o meio ambiente através da arte', produzido originalmente para a disciplina 'A Polêmica Estética: Modernidade versus Pós-Modernidade', ministrada por Elza Ajzenberg, do Programa de Pós-Graduação em Estética e História da Arte da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

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1 Comment


Parabéns pela iniciativa de nos proporcionar dicas variadas sobre este tema tão atual, relevante e de extrema urgência!!! 👏👏👏

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